Antonio Victor publica mais uma pérola, Extremos

EXTREMOS

Ergueram-me castelos 
de nuvens e areias
flagrei-me sem paredes
durante a maré cheia

O rosto cerra o cenho
cessa a serenidade
retorna, abruptamente,
a bipolaridade

O céu se fecha em nuvens
corisco risca os ares
o riso que era leve
tomou semblante grave

A noite invade o dia
em plena claridade
não tenho mais lembranças
do que é felicidade

Do firmamento etéreo
despregam-se estrelas
trovões rugem agora
prenúncio de procela

A marcha retrocede
menor velocidade
um salto para baixo
a bipolaridade

Granizo cai na alma
tão indefesa e nua
debalde o Sol procura
sintonizar a Lua

A luz se faz em trevas
irrompe a tempestade
meu gesto é impotente
à bipolaridade

Pisar em ovos frágeis
ter olhos no escuro
tornou-se verde o fruto
que há pouco era maduro

Ferida está de morte
a sensibilidade
não há arma que enfrente
a bipolaridade.

Antonio Victor