Feliz Ano Velho

Ano Novo, vida velha. Velhos hábitos

Ano Novo, vida velha. Velhos hábitos, velhas fobias: homofobia, xenofobia, misoginia, LGBTQIfobia e, pasmem!!! Até heterofobia. Velhos costumes se sobrepondo à nova realidade: afastamento social? Vamos pra farra! Máscara? Incomoda… A falta de empatia nos anestesia diante da pilha de mortos.

A ciência perde para a feiquinius. A política perde para a feiquinius. O bom senso perde para a feiquinius. Tudo isso paitrocinado por um “gabinete do ódio”. Não temos presidente. Não temos juízo. Não temos vacina (teremos???). Não temos (mais) auxilio emergencial que, bem ou mal, salvou vidas no Ano Velho. E agora, o que será de nozes????.

Pretos, pobres, gays, mulheres (sim, mulheres!) São discriminados

O preconceito nunca esteve tão em moda. Pretos, pobres, gays, mulheres (sim, mulheres!) São discriminados indiscriminadamente. Sexismo, machismo, feminicidio, fascismo, são palavras de ordem de líderes mitificados e seus acéfalos seguidores.

Esses, se manifestam democraticamente, pedindo o fim da… Democracia. Defendem o liberalismo, oprimindo as minorias. Sonham com uma Terra plana (paraíso), onde só exista a espécime vacum. Na sociedade ”perfeita” não existem PTistas, comunistas, socialistas, cientistas, professores, pensadores, filósofos (só permitem autodidata).

Prevalece a velha corrupção, concentrada, dessa vez, em uma família. Não só, mas principalmente

Só existem capitães e generais. No Ano Novo, prevalece a velha corrupção, concentrada, dessa vez, em uma família. Não só, mas principalmente. A conivência daqueles que poderiam impedi-los, formou uma rede de proteção. Postos chaves da justiça (quem investiga e quem julga) foram ocupados por apadrinhados e compadres, que garantem a impunidade, ainda que a culpa esteja escancarada. Ou o contrário: a condenação de adversários sem o ônus da prova, somente por convicção. E por feiquinius, que o povo iletrado adora ver, ler e compartilhar nas redes do ódio.

Ano Novo, velhas ideias, carcomidas pela inutilidade, mas renovadas pelo desejo de continuísmo. Escolas militares, formatando robôs humanos no intuito sedimentar a tríade capitalista conservadora: Tradição Família Propriedade. Afinal, o livre pensar é prejudicial aos negócios. Escola pública sucateada, aumentando ainda mais o fosso entre pobres e ricos.

Como se um preto do morro tivesse as mesmas condições de superar obstáculos que um branco classe média do asfalto

A meritocracia usada como algo justo, como se um preto do morro tivesse as mesmas condições de superar obstáculos que um branco classe média do asfalto. Ano Novo, Década Nova, mas a mesma Velha Esperança em dias melhores, apesar de tudo. Esperança vã? Talvez não. Afinal, essa, diferentemente dos contaminados pelo COVID-19 e dos pretos e pretas, não morre.

Prof. Valdimir Teixeira (Pretinho) – Professor de História, Cronista e Poeta.