Antonio Victor nos presenteia com mais um Soneto, Naufrágio

NAUFRÁGIO

Por quantos anos naveguei teus olhos
mar de ternura onde afoguei meus sonhos
Duras saudades que hoje vêm-me aos molhos
beijar as praias do meu cais tristonho

Por quantos anos naveguei-te a palma
da mão amiga que aprendi de cor
Por quantos anos naveguei-te a alma
em devaneios que tingi de amor

Por quantos anos eu beijei-te a boca
sem ter beijado e sem pensar que louca
foi-me a palavra que deixei calada

Mas fui feliz quem sabe em meus enganos
melhor seria ter dobrado os anos
ter mais te amado e não ter dito nada

Antonio Victor