Conflito armado entre nações não é uma partida esportiva

Não é para escolher um lado para torcer.

Bráulio Flores
Opinião

Nos últimos dias, pudemos acompanhar cenas lamentáveis de um conflito armado na Ucrânia, de iniciativa do governo russo.

Percebo muita gente que gosta de se posicionar “torcendo” para este ou aquele lado. Por mais que eu me esforce, cotidianamente, para respeitar todos os pontos de vista, ainda não consegui ouvir respostas que me fizessem acreditar que, como numa competição esportiva (de regras claras e conhecidas), é possível “torcer” para um dos exércitos.

Para mim, não dá para torcer. Se isso for um jogo, na minha opinião, todo mundo já perdeu. E mais: enquanto houver pólvora e sangue humano, a derrota é contínua e ininterrupta.

De toda forma, minhas análises me levam a trazer algumas reflexões e ressalvas sobre o conflito:

Não usei termos como “guerra” ou “invasão”

Primeiro, que fique claro: não pretendo entender plenamente nem tampouco lecionar sobre o episódio. Deixo isso para os especialistas em enfrentamentos militares. Até agora, o bom leitor percebeu que não usei termos como “guerra” ou “invasão”, simplesmente porque ainda não me sinto seguro para usá-los, com o conhecimento a que tive acesso.

Além de, obviamente, questões sobre mercado de capitais, geração e distribuição de energia/petróleo/gás, espionagem e inteligência, que julgo que não estarão disponíveis em toda sua amplitude, uma pergunta que insiste em me ocorrer é: de quantos “lados” estamos falando?

“além da ação, a omissão também é uma escolha”

Sinceramente, eu não consigo engolir, com essa facilidade toda, que China, Estados Unidos, União Europeia e outros atores não tenham condições de, negociando, evitar uma coisa dessas ou, pelo menos, interrompê-la, assim que julgarem necessário. É claro que há, para estes países, entre outras, questões sobre análise de riscos e sobre avaliação de danos possíveis/prováveis e admissíveis. Mas, uma coisa que eu aprendi, em anos de estudo do comportamento de autoridades, é que, além da ação, a omissão também é uma escolha.

De posse de uma quantidade vergonhosamente infinitesimal de informações, se comparada ao conhecimento disponibilizado aos decisores envolvidos, eu me pergunto: quem sou eu, cá no interior do Brasil, para me dar ao luxo de ter opiniões sobre o que está ocorrendo?

Sigo me policiando para não dizer que essa é uma iniciativa da Rússia. Não consigo admitir dessa forma, quando lembro dos russos que conheci. Não tenho dados da aprovação popular disso na Rússia, para dizer que é algo de todas as pessoas na Federação Russa. Por isso, repito e repito: “do governo russo”.

“eu sou humano, e nada do que é humano me é estranho”

Por último, em minha avaliação dessas coisas, lembro-me sempre daquilo que, intimamente, penso que, talvez, pudesse ser usado para justificar a iniciativa de um conflito entre nações. Minhas respostas para as perguntas que tenho são, todas, negativas. Não há dados de que o governo ucraniano tenha perpetrado ou patrocinado ataques armados à Rússia, a seu povo ou a Estados aliados.

Deste conflito, eu não entendo de um tanto que me permita emitir opiniões públicas sobre qualquer um dos lados, seja lá quantos forem. Embora eu não entenda amplamente do que está ocorrendo, entendo daquilo que foi descrito pelo pensador Terêncio, e que é usado por bombeiros mundo afora: “eu sou humano, e nada do que é humano me é estranho”.

A dor, o medo, o desespero, a tristeza e a perda são sentimentos humanos.

Bráulio Flores

O rancor, a raiva e o egoísmo também são sentimentos humanos, que acometem pessoas simples e governantes poderosos. Só que as pessoas simples sempre encontram alguém, bem próximo, para criticar e corrigir, enquanto poderosos, volta e meia, são aplaudidos por quaisquer coisas que digam ou façam, por bajuladores de plantão.

Dúvidas, ação, omissão e sentimentos humanos: são essas coisas que passam pela minha cabeça, neste momento.

Portanto, consciente da minha pequenez, eu escolhi outros sentimentos humanos para levar, por esses dias: compaixão e esperança.

Eu quero que acabe. Mas é porque há famílias sendo separadas, pessoas sendo mortas, sofrimento, terror e incerteza sendo espalhados, além de vidas sendo colocadas em risco e outras coisas dessas.

Agora, é sofrimento dos inocentes que me faz sofrer.

É por eles, a minha torcida.

Bráulio Flores – Opinião

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